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Os sete pecados capitais foram
listados pela Igreja Católica
durante o Concílio de Trento (1545 a
1563), que tinha como objetivo
combater o crescimento do
protestantismo, criando um sistema
que ajudasse os fiéis a memorizar os
reais valores católicos. São
chamados de capitais porque dão
origem a todos os outros.
Dentre
os sete pecados capitais, a inveja
talvez seja o mais comum...e o mais
perigoso para os relacionamentos.
73% dos brasileiros já admitiram ter
sentido inveja, segundo o Ibope. "A
inveja nasce como um desejo de ter o
que as pessoas ao seu lado têm, é um
sentimento natural. Ele se
transforma em inveja quando, em vez
de querer algo, você quer evitar que
o outro consiga qualquer coisa",
explicou o rabino Nilton Bonder,
autor de "A cabala da inveja".
De onde surge esse monstrinho verde?
Bonder explica que a inveja é
construída em cima de raiva e
frustração. "O invejoso se sente
fracassado em determinadas áreas da
vida e, para não sentir raiva de si
mesmo, transfere esse ódio para o
outro".
A inveja só aparece em grupos de
pessoas que estão próximas, seja uma
família ou um escritório. "Sentimos
inveja de pessoas que estão ao nosso
lado e que nos lembram de uma forma
ou de outra que não estamos
conseguindo atingir as nossas metas
de vida. Logo, não há como sentir
inveja de uma celebridade, por
exemplo", explicou Bonder.
Para o psicólogo Carlos Byington,
devemos ficar atentos à inveja
porque ela nos indica uma vocação,
um desejo reprimido. Ela só se torna
maligna quando não nos esforçarmos
para conseguir o que queremos.
Mas achar que os invejados são
sempre as vítimas é um erro, alerta
a terapeuta Amélia Nascimento. "A
inveja nasce de uma relação e muitas
vezes, mesmo inconscientemente
provocamos este sentimento, seja
desmerecendo o esforço do outro,
seja irradiando sem parar nossas
conquistas".
Os que gostam de provocar inveja
geralmente possuem um certo
sentimento de
inferioridade, explicou o rabino:
"Se vangloriar de algo é uma
tentativa de se valorizar diante do
outro e isso causa inveja".
A inveja é sempre igual?
Segundo Byington, existem três tipos
de inveja. O primeiro deles é a
inveja autodestrutiva. "É quando nos
sentimos inferiores diante da
aparência ou conquista de outras
pessoas", explicou.
O segundo tipo, o mais grave, é a
inveja patológica, aquela que nos
faz querer destruir aquele que
invejamos. "Mas a inveja patológica
como a retratada na novela
'Celebridade', onde a personagem de
Claudia Abreu quer destruir a de
Malu Mader, é uma coisa
completamente diferente de nosso
dia-a-dia", avisou Amélia.
Carlos Byington defende um terceiro
tipo de inveja, a criativa. O termo
ele tirou de uma declaração de
Cazuza, que morria de inveja da
letra de "Que país é esse?", de
Renato Russo. O músico usou esse
sentimento para compor "Brasil". "A
inveja criativa é aquela que você
sente e usa para conquistar o que
deseja", explicou o psicólogo.
O que fazer com a inveja que eu
sinto?
Transformar a inveja que você sente
em algo positivo é mais fácil do que
se imagina. Primeiro, tente observar
o que você gosta na pessoa que
inveja: é a aparência? O cargo? A
família? Amigos?
Depois dessa análise, será que você
não exagerou na idealização dessa
pessoa? "Coloque o alvo de sua
inveja em perspectiva. Costumamos
idealizar a vida de quem invejamos e
quando analisamos friamente a
situação, vemos que ela é tão
cor-de-rosa assim, que existem
dificuldades, problemas", aconselhou
Bonder.
É preciso também valorizar mais o
que temos. "Quando sentimos inveja,
ampliamos a figura da pessoa e
diminuímos tudo que temos e
conquistamos. É preciso equilibrar
isso. Nem a pessoa está em um
pedestal e nem você na sarjeta",
falou Bonder.
Tente transformar a inveja em
admiração. "É muito simples fazer
essa mudança. Em vez de odiar o
outro pelo que ele tem, tente
encará-lo como um exemplo a ser
seguido", disse Amélia.
E quando as pessoas me invejam?
Se você acha que é alvo de inveja,
deve primeiro observar se não a
provoca. E mantenha-se relaxado ao
receber alfinetadas. "A inveja é
muito mais prejudicial ao invejoso.
Se você está seguro que merece o que
tem, nada vai te atingir", explicou
Amélia.
Mostrar-se amigável é uma boa forma
de desarmar os botes do invejoso.
"Tente ser mais amoroso com as
pessoas, ser menos competitivo",
disse Nilton Bonder.
No caso de o invejoso causar algum
dano real, uma conversa franca pode
ser a solução. "Chame a pessoa para
conversar e pergunte por que ela te
quer tão mal. Mas só faça isso se
realmente ela te prejudicou",
aconselhou Amélia.
E nada de acreditar em olho gordo!
"O outro pode até fantasiar que te
destrói, mas quem atrapalha a sua
vida é você! Se inveja atrapalhasse
a vida de alguém, Pelé seria um Zé
Ninguém hoje", disse a terapeuta.
Finalmente, tenha cuidado também em
não inventar inimigos. "Isso
acontece muito em escritórios. Você
recebe uma promoção ou um aumento,
mas não se sente segura de que o
mereceu, então tem a impressão de
que todos pensam a mesma coisa.
Cuidado com a paranóia", alertou
Amélia. |