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Explorar sem devastar.
O desafio desse profissional
Cabe ao engenheiro florestal
manejar os recursos
de nossas matas de forma que a
biodiversidade seja mantida
O Brasil tem 5 milhões de
quilômetros quadrados de floresta
nativa, o que representa 64% de
sua área. Mais: de acordo com a
FAO, órgão das Nações Unidas
ligado à alimentação e à
agricultura, nada menos que 29 mil
quilômetros quadrados de seu
território são reflorestados com
eucalipto, o que coloca o País em
segundo lugar nesse ranking,
logo atrás da Índia. Por estes
dados, pode-se concluir que há
engenheiro florestal rindo à toa
por aí. Afinal, é este,
literalmente, o campo de trabalho
desse profissional. E, justiça
seja feita, deve-se muito a ele.
Apesar de o clima e o solo
brasileiros serem fundamentais
para impulsionar a “vocação
florestal” do País, sobretudo
devido às pesquisas tecnológicas
realizadas no setor, nos últimos
30 anos, que nossas florestas
estão entre as mais produtivas do
globo.
O grande desafio dos
engenheiros florestais, seja em
matas nativas seja em
reflorestamentos, é combinar a
obtenção de matérias-primas com a
conservação ambiental. A formação
específica
desses profissionais, que inclui
conhecimentos sobre o ciclo de
produção de cada espécie, permite
alcançar esse objetivo.
" O homem precisa conciliar
o uso dos recursos, que são
finitos, com a sua
sustentabilidade para as gerações
futuras", defende o coordenador do
curso de Engenharia
Florestal da Faculdade de
Ciências Agronômicas (FCA),
Adriano Wagner Ballarin.
Professora do mesmo curso, Vera
Lex Engel concorda com o colega.
"Mesmo as florestas plantadas com
fins comerciais podem ser
manejadas para conservar a
biodiversidade. É preciso mesclar
reflorestamento com agricultura,
pastagens e florestas naturais
para não trazer danos ao meio
ambiente", pondera. "Além disso",
ela acrescenta, " a prática de
reflorestamentos orientados para
resgatar o equilíbrio ecológico
está em franca expansão. A
regeneração de florestas, que
prevê o plantio de espécies
nativas, é uma área em
crescimento."
Os engenheiros florestais têm pelo
menos três frentes de atuação. Uma
delas diz respeito ao uso de
recursos naturais, que engloba a
produção de florestas para
diversos fins (reflorestamentos,
produção de madeira cerrada,
fabricação de celulose e
papel) e a tecnologia dos produtos
florestais (resíduos florestais,
papel, chapas de fibras). Esse
campo de trabalho, ligado às
indústrias, está consolidado e as
oportunidades são muitas. Mas o
engenheiro florestal atua também
em duas outras frentes, ambas em
fase de crescimento: a de
conservação, que estuda a dinâmica
dos ecossistemas florestais para
conservá-los, e a de relações com
a sociedade, vinculada às
políticas ambientais. A
preocupação em preservar o meio
ambiente sempre existiu. A Escola
de Florestas, criada na Alemanha,
no século XVIII, tinha exatamente
o objetivo de promover o manejo
sustentado. No Brasil, contudo, o
surgimento da Engenharia Florestal
foi desvinculado da questão
ambiental. A primeira escola foi
implantada na década de 1960, no
município de Viçosa (MG), e os
incentivos fiscais oferecidos em
troca do plantio de espécies
exóticas, a partir daí, fizeram
dos engenheiros florestais pouco
mais do que meros "plantadores de
árvores". Nos últimos anos é que o
enfoque da formação mudou,
abarcando o aspecto ambiental. " A
questão ecológica acabou abrindo
um mercado diferente e promissor
para essa carreira", comemora
Ballarin. Em países como o Canadá,
a Alemanha e os Estados Unidos,
com uma consciência ambientalista
mais desenvolvida o mercado é
muito bom. Como consumidores,
esses países, assim como a Europa,
exigem que os produtos florestais
tenham selo ambiental. No Brasil,
grandes empresas precisam
recuperar áreas degradadas para
adequar-se à legislação
internacional. Quem seguir essa
carreira terá muito trabalho pela
frente. O curso tem espaço para
pessoas com perfis variados, pois
a Engenharia Florestal é ampla o
suficiente para abrigar diferentes
talentos.
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